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19/09/2011

Pais sem autoridade, filhos sem limites

De três gerações para cá, verifica-se uma mudança radical e significativa na posição dos pais quanto à colocação dos limites e das regras disciplinares em seus filhos.

A falta de limites tem consequências negativas para a criança e seu desenvolvimento. A criança que não aceita regras, seja para jogar um jogo, para andar no ônibus, para se comportar na escola, terá dificuldades para conviver com os outros. Os limites ajudam a criança a tolerar frustrações e adiar sua satisfação.

A criança tem que aprender a esperar sua vez, a compreender que existem outros e que precisa compartilhar. A insuficiência de limites pode conduzir a uma desorientação, a uma falta de noção dos outros, de respeito, levando à criminalidade em alguns casos extremos.

Colocar limites não significa ser autoritário, mas sim ter autoridade. Através da colocação de limites, os pais ensinam a criança a respeitar-se e a respeitar os outros. Na medida em que os pais percebem as necessidades da criança, identificam-nas e apontam-nas, ela poderá também identificar quais suas próprias necessidades e como respeitar seu próprio corpo.  

Por exemplo, se uma mãe percebe que seu filho não está com sono, mas precisa dormir, e ela é firme e lhe diz que é hora de dormir, mesmo que ele resista, aos poucos ele poderá identificar seu próprio cansaço e a necessidade do corpo de descansar.

Colocar limites não significa privar de liberdade. Quanto mais cedo os pais colocarem os limites de forma afetiva e com segurança, menos problemas terão os filhos na puberdade e na adolescência, fase na qual as crianças se revoltam contra as imposições desmedidas e transgridem aquilo que é insuportável.

É importante que os pais dialoguem com os filhos e expliquem quais os propósitos dos limites. Se mesmo assim as crianças não obedecerem, às vezes é necessário colocar sanções, com o intuito das crianças se responsabilizarem pelos atos e pelas suas decisões. Se um pai superprotege seu filho, evita colocar limites e satisfaz todas as vontades, o prejudica, pois seu filho demorará a se tornar um adulto capaz de aceitar as regras da sociedade.

A tarefa de colocar limites inicia-se desde o nascimento. A importância do "não" e do estabelecimento de limites é fator organizador na formação da personalidade de todo ser humano.

As crianças passam pela "fase do negativismo", na qual a criança fala quase compulsivamente a palavra "não", testando sua força diante da autoridade do adulto, pai ou mãe. Com esse comportamento, as crianças estão experimentando até onde podem chegar e até onde os pais deixam ir.

As crianças precisam de regras claras, objetivas e coerentes, colocadas com segurança e na hora certa. O estabelecimento de limites não é tarefa fácil, mas muito mais complicado é mantê-los. Ter de enfrentar o choro, resmungos, esperneio e a sensação provocada pela criança de que somos pais "maus" e injustos é difícil de tolerar.

Quando a criança é pequena, ela não sabe o que lhe faz bem e o que é prejudicial para sua saúde; são os cuidadores que aos poucos precisam ir ensinando-lhes estes valores, colocando limites, para que ela possa apreender por si só e se tornar autônoma. Também, para que as crianças entendam a importância dos limites, é fundamental que os pais sejam coerentes, fazendo ou deixando de fazer aquilo que falam para seus filhos.

 

Autora: Maria Cristina Capobianco

Psicóloga e autora do livro "O corpo em off" (Ed. Liberdade).

Setor de Psicologia

 

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