Não há nada mais especial para os pais do que o brilho nos olhos das crianças, quando recebem aquele pacote enfeitado. Melhor ainda quando o brilho é múltiplo, diretamente proporcional à quantidade de presentes distribuídos.
Mas, presentear demais pode estragar os pequenos e, ao contrário do que muitos pais imaginam, não substitui colo, carinho e atenção.
Muitos pais, para suprir a ausência, acreditam que, comprando o que os filhos sonham e querem, irão preencher o vazio de suas presenças.
Melhor é aproveitar o pouco tempo que dispõem com suas crianças com qualidade, ou seja, com brincadeiras, passeios e muito diálogo.
O excesso de presentes pode, sim, fazer mal às crianças. O ideal é que elas ganhem presentes apenas em datas especiais, como aniversário, Dia das Crianças e Natal. Se não houver limites estabelecidos, a criança poderá aprender que, para tudo o que faz, é merecedora de compensações,
Presentear demais, mesmo com toda boa intenção, pode transformar seu filho em uma criança mimada e impossível de conviver.
A criança que não tem limite não sabe ouvir e respeitar os adultos, faz birras e chantagens emocionais e resolve suas frustrações por meio do choro com frequência. Criando um ser mimado, você também potencializa um ser humano inseguro, que não aprende a confiar em si e não consegue lidar com as frustrações naturais ao longo da vida.
O ideal é dialogar sempre e mostrar à criança as diferentes realidades sociais, fazendo-a perceber que nem todas as pessoas têm as mesmas oportunidades e privilégios. Explicar a importância do dinheiro também é fundamental. Sugere-se, nesse caso, que se proponha à criança uma reorganização de seus brinquedos e, em consequência, uma doação às crianças mais carentes.
É importante frisar que uma criança não nasce consumista. Ela é automaticamente inserida num contexto cultural de consumo exacerbado. Então, cabe à família orientar e dar os limites necessários para a formação de um adulto saudável e consciente. Acertar na educação dos filhos é uma tarefa complexa. Depende tanto do que os pais sentem, quanto dos seus valores, atitudes e ações. Estabelecer limites e educar com ternura e vigor são a solução para uma educação equilibrada e saudável.
Autora: Flávia Rubick – Pedagoga.
Setor de Psicologia Infantil