Tem criança que já nasce querendo aprender. Outras precisam de um empurrãozinho de vez em quando. Há ainda as que precisam de um empurrão bem grande a cada dia...
Como seria bom se cada filho já viesse ao mundo doidinho para estudar, animadíssimo para fazer as tarefas escolares todos os dias, e mais: que acordasse sem precisar brigar com o relógio e ainda por cima supermotivado e a fim de ir às aulas...
Gostar de estudar tem relação direta com o mundo no qual a criança convive desde seus primeiros anos de vida. Quer dizer: a maneira pela qual quem cuida (pais, avós, babás, tutores...) age em relação ao saber, ao conhecimento, à escola, à leitura.
O momento para começar a construir e desenvolver hábitos de estudo começa quando você apóia e valoriza toda e cada uma das atividades que a professora propõe, seja um simples desenho, uma pintura, um estudo e até a prova que a criança vai fazer. E continua quando você colabora, ajuda e, principalmente, zela pelo cumprimento das tarefas que a escola propõe. Mesmo que lhe pareça sem sentido, fácil demais, difícil, não importa!
Ainda que parte da motivação para aprender seja inata, crianças que não apresentam tal característica desde o berço, podem perfeitamente aprender a gostar.
Gostar de estudar é uma competência que se pode aprender. E que começa a ser aprendida em casa. E continua depois... Pelo resto da vida!
Prestigie as tarefas escolares
Quer dizer: não faça observações nem opine na frente da criança se acha que o trabalho proposto foi excessivo ou pouco; nem se achou difícil ou fácil demais.
Se você quer ser pai de um bom aluno, apenas zele para que ele cumpra as obrigações escolares.
Obs: se você tem críticas às tarefas, vá à escola, marque uma entrevista e converse com o coordenador pedagógico. Mas não comente na frente do seu filho. Ele vai perder a confiança na escola e nos professores. Pode até não querer mais fazer as tarefas, já que você mesma se diz contrária a elas.
Habitue seu filho a ter horário e local adequado para estudar e fazer as tarefas
Em frente à tevê, na sala com outras pessoas da família entrando e saindo, na cozinha com a empregada ouvindo rádio e em outros locais movimentados ou barulhentos, a criança levará o dobro do tempo para concluir qualquer trabalho. E a fará sem dúvida com mais erros, porque logicamente se distraiu um monte de vezes durante o processo.
Sem brigas. Leve-o para o lugarzinho reservado para as tarefas. Se não tiver, crie um. Uma mesa e uma cadeira no quarto dele, por exemplo. Só isso, nada de gastos ou sofisticação desnecessários. Só um local calmo e sem muito barulho ou movimento.
Supervisione
Até seu filho criar o hábito, providencie – sugerindo, lembrando ou incentivando – para que ele cumpra as tarefas.
De preferência, sempre no mesmo horário. Se não estiver em casa, telefone. Celular serve para isso.
Não faça as tarefas para ele, nem corrija achando que tem que estar tudo correto ou para ele fazer bonito na escola. Quem corrige o trabalho é o professor.
Se ele lhe fizer uma pergunta sobre o trabalho, aí é outra coisa; você pode ajudar, mas apenas encaminhe o raciocínio de forma a que ele próprio responda.
Não lhe dê a resposta pronta. É mais fácil para você, mas ele não aprende e vai se acostumar a consultá-la – e não às anotações de aula, o livro ou a apostila.
Incentive
Crie o hábito de ler diariamente o caderno ou a agenda que a escola mantém para se comunicar com os alunos e seus responsáveis. Veja o que a escola determinou – e confira se o seu filho cumpriu.
Quando ele tiver feito tudo direitinho (não precisa ter acertado todas as questões ou tarefas, apenas cumprindo com capricho e boa vontade) não esqueça de elogiar, beijar e mostrar que está feliz com a atitude dele.
É muito importante que seu filho saiba que você olha, avalia e aprova sua forma de agir. Mas quando não tiver feito os trabalhos, ou tiver feito de forma visivelmente descuidada, providencie para que ele faça ou refaça. Assim ele aprenderá a fazer logo caprichadamente – e a não ter dois trabalhos...
Não se preocupe que seu filho não ficará “cansado”. Se ficar, não tem problema – uma noite de sono resolve qualquer cansaço.
Elogiar é preciso, mas não minta. Se estiver bom – não precisa estar perfeito, apenas bom – elogie. Mas se não estiver, diga o que não ficou bom. Critique, porém de forma não agressiva. E mande refazer. Não precisa falar muito. Só agir na hora – e diariamente. Com o tempo, ele criará o hábito.
Tenha paciência
Algumas crianças aprendem tudo rapidamente; outras demoram mais. Portanto, embora para os pais muitas vezes seja difícil lidar com o ritmo de aprendizagem dos filhos, é importante persistir até que a criança comece a ter o comportamento desejado.
Vá com calma e não compare o desempenho de um filho com outro, nem com o dos amiguinhos. Nem para “se gabar”, nem para “estimular”. Cada criança é diferente da outra.
Se um filho já nasceu querendo aprender e outro está lhe dando um trabalhão, lembre-se: os dois poderiam dar trabalho... Portanto, você foi premiado!
Siga em frente e não esmoreça. Afinal, é um grande ganho ter filhos que estudam. Aprendem, progridem e, especialmente, adquiriram o hábito de se responsabilizar pelas suas tarefas.
Poucas crianças nascem “adorando” estudar, ir à escola e fazer as tarefas de casa. Aos pais cabe desenvolver essa responsabilidade, que, às vezes, até vira prazer. Dá trabalho, mas a recompensa vale a pena.
Equipe Pedagógica do Ensino Fundamental (séries iniciais)
Fonte: Zagury, Tânia, 2011 – Filhos: Manual de Instruções